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Diretora cearense participa de debate sobre histórias de transformação em São Paulo

Diretora cearense participa de debate sobre histórias de Transformação em São Paulo

 “Quando você muda um aluno pela educação, você não mudou apenas a vida dele. Você transformou toda a geração que virá depois dele, dos filhos, netos, bisnetos”. A reflexão é de Rosângela Nascimento da Silva, diretora da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Raimundo de Carvalho, localizada em Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza. Ela e outros quatro diretores de escolas de cinco estados brasileiros participaram na última terça-feira (14.05) do primeiro debate da série “Olhares para Educação Pública”, realizada pelo Instituto Unibanco no MIS (Museu da Imagem e do Som) de São Paulo-SP, todas as terças-feiras, até 4 de junho. A programação faz parte do projeto de registro “Ser Diretor – Uma viagem por 30 escolas públicas brasileiras”, composto de livro e exposição que está em cartaz no museu até o dia 23 de junho.

Além de Rosângela, os diretores Ramon Barcellos (Espírito Santo), Alberto Vieira (Piauí), Weberson Moraes (Goiás) e Edna Cunha (Rio Grande do Norte) compartilharam com a plateia as dores e alegrias de gerir escolas públicas em regiões de vulnerabilidade. Eles contaram histórias de superação de comunidades escolares que estavam desmotivadas e abandonadas e que, em um curto espaço de tempo, conseguiram dar uma guinada nos indicadores de educação.

“De 2016 a 2018, nós conseguimos zerar a evasão escolar no Ensino Médio, que era de 16%. Em 2015, apenas um dos alunos da escola tinha buscado e entrado numa universidade. Em 2018, tivemos 69 estudantes aprovados, sendo 43 deles na universidade federal”, contou Ramon.

A ideia de compartilhar experiências de quem está no dia a dia das escolas foi iniciada com o projeto do livro “Ser Diretor”, que deu origem à exposição fotográfica. A iniciativa do Instituto Unibanco foi realizada em conjunto com o fotógrafo e jornalista Eder Chiodetto, que viajou 6.790 quilômetros para registrar o trabalho dos gestores educacionais em 30 escolas de seis estados. “Antes desse projeto eu achava que a precariedade da educação no Brasil era um problema insolúvel. Mas, ao chegar às escolas, percebi que o diretor, o professor que olha o aluno no olho é de fato uma força transformadora”, disse Eder.

O superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, explicou que a série de debates está conectado à necessidade de diálogo cada vez mais urgente no Brasil, especialmente no campo da educação, e que a trajetória do Instituto está baseada na valorização da diversidade, na conexão de ideias, nas evidências e na ciência e na busca por acelerar transformações. “Estou lendo um livro do sociólogo francês chamado François Dubet que diz que vivemos hoje em tempos de paixões tristes. Essa é a referência do contemporâneo, uma onda no mundo no Brasil de obscurantismo e revisionismo; um momento em que as sociedades contemporâneas estão em crise e radicalizam muitas vezes posições que são a negação do projeto humano. E é por isso que as paixões se fazem tão tristes”, falou Ricardo.

Engajamento da comunidade e participação estudantil

Uma unanimidade nas cinco experiências compartilhadas pelos diretores no debate foi a importância do engajamento da comunidade escolar no processo de transformação de suas escolas. “Escola tem que ser viva. Então, quando comecei o trabalho de gestor há 15 anos, abrimos a escola para a comunidade. Ninguém é gestor sozinho. Os gestores são os estudantes, a gente dá apenas o norte”, defendeu Alberto Vieira, que foi eleito pela comunidade escolar na época em que o governo do Piauí instituiu eleição para o cargo de gestor escolar – o que não é comum no Brasil.

Hoje na coordenação de mais de 60 escolas no Piauí, ele lembra de sua história como diretor: “Fui gestor de uma escola em um bairro carente na periferia de Teresina. Para se ter ideia, a base da economia local era a prostituição e os índices de evasão e reprovação escolar eram de 35% e 40% [respectivamente]. Hoje zeramos os índices de evasão e de violência na escola e temos mais de 90% de aprovação.”

O gestor escolar Weberson Moraes, de Goiás, contou para a plateia sobre o projeto que deu início às mudanças na escola onde atua. Ele engajou estudantes, professores e funcionários para redigirem cartas sobre o objetivo de cada um na escola e, a partir disso, criou um sentimento de pertencimento coletivo. “Na escola, não existe o eu. Existe o nós”, disse.

 

Desafios

Violência, escassez de recursos financeiros e a não valorização da carreira de gestores e professores foram os três aspectos apontados como os maiores desafios da educação no Brasil hoje. “Eu consigo gerenciar o administrativo da escola, trazer o menino de volta, fazer com que ele aprenda. Mas eu não sei como tirar a arma da mão de um aluno”, falou Weberson.

O debate foi mediado pela jornalista Luciana Barreto, do Canal Futura, que se disse emocionada e feliz de poder participar do encontro. Ela, como muitos outros, também é fruto da escola pública e a primeira da família a ter um diploma universitário. “Chorei muito ao assistir ao documentário ‘Nunca me sonharam’ [do Instituto Unibanco, com direção de Cacau Rhoden]. Pensei em quantos corpos eu tive que pular para ir à escola. Por isso, é tão especial estar aqui para debater esse tema”, revelou.

 

*Com informações do Instituto Unibanco

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